Recuperação após a cirurgia de endofibrose

ESPORTE E CIRCULAÇÃO

12/22/20252 min read

O roteiro de reabilitação e retorno ao treino após a cirurgia de endofibrose da artéria ilíaca é dividido em quatro fases progressivas, focadas na cicatrização, recondicionamento e retorno seguro à performance competitiva.

Fase 1: Recuperação Cirúrgica (Semanas 1 e 2)

O objetivo central é a cicatrização da incisão e dos acessos cirúrgicos.

Atividades: Repouso domiciliar com deambulação muito limitada na primeira semana. Na segunda semana, é permitido sair de casa, evitando longos períodos em pé.

Restrições: São proibidos exercícios físicos e dirigir veículos.

Monitoramento: Atenção a sinais de infecção, trombose venosa ou oclusão arterial.

Fase 2: Mobilização Precoce (Semanas 3 a 6)

Nesta fase, inicia-se o recondicionamento físico, visando a cicatrização arterial.

Atividades: Caminhadas de até 1 hora e uso de ergômetro de membros superiores são permitidos. Após a terceira semana, pode-se nadar com auxílio de flutuador (pull buoy).

Restrições: O ciclismo ainda deve ser evitado, assim como movimentos de flexão agressiva do quadril (como abdominais) para prevenir hérnias incisionais.

Limites: A frequência cardíaca deve ser mantida em até 70% da máxima, e viagens de carro devem ser curtas (menos de 2 horas).

Fase 3: Reintrodução do Ciclismo (Semanas 7 a 12)

Fase dedicada à readaptação do corpo e das artérias ao movimento específico e à demanda de fluxo sanguíneo.

Semanas 7 e 8: Início com treinos de 15 a 60 minutos em terreno plano ou rolo, com frequência cardíaca abaixo de 70% da máxima.

Semanas 9 e 10: Aumento progressivo de volume (10-15% por semana), atingindo de 5 a 7 horas de pedal semanais em baixa intensidade (Zonas 1 ou 2).

Semanas 11 e 12: Introdução de intervalos controlados em Zona 3 de esforço.

Métrica Clínica: Busca-se uma simetria de potência entre as pernas com diferença menor que 5%.

Fase 4: Retorno à Competição (Semanas 13 a 16)

O objetivo final é recuperar a capacidade física para atingir até 90% da potência pré-lesão.

Atividades: Início de competições de baixa prioridade.

Critérios de Sucesso: Força simétrica nos membros inferiores e ausência total de sintomas.

Checklist de Avaliação Médica

Durante todo o processo, o acompanhamento clínico utiliza parâmetros específicos para garantir o sucesso da cirurgia:

Pulsos: Devem estar simétricos nos membros inferiores em todas as avaliações.

Índice Tornozelo-Braço (ITB): A diferença entre os membros deve ser menor que 10%.

Duplex-scan: Monitoramento da Velocidade de Pico Sistólico (VPS), que também deve apresentar diferença inferior a 10% entre os membros